Vereador é denunciado ao Conselho de Ética e será investigado

A maioria dos vereadores de Joinville aceitou denúncia da vereadora Vanessa da Rosa (PT) contra o vereador Wilian Tonezi (PL) à Mesa Diretora por suposta violência de gênero em “condutas atentatórias ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vereadores de Joinville” e vai enviá-la à análise do Conselho de Ética da CVJ.

A denúncia foi aceita por 10 votos, com 2 votos contrários e 4 abstenções.

Não votaram o presidente Diego Machado (PSD), por ser presidente, nem a denunciante e o denunciado.

Segundo Vanessa, Tonezi teria atentado também “à legislação pertinente à violência política de gênero, bem como às garantias constitucionais dos direitos políticos das mulheres”.

Em um relatório de 22 páginas, lido durante a sessão desta segunda-feira (24) pelo secretário Henrique Deckmann (MDB), Vanessa da Rosa descreve atos do vereador que, segundo ela, “não apenas atentam contra os direitos políticos de suas colegas vereadoras, mas também configuram graves manifestações de violência política de gênero, cujas consequências não podem ser minimizadas”.

“A afirmação mostra que as ações não se tratam de ocorrências isoladas ou fruto de descontrole momentâneo, mas de um comportamento planejado, estratégico e deliberado com o propósito de deslegitimar as atuações que envolvem pautas feministas e de igualdade de gênero”, escreve a vereadora.

A denunciante afirmou ainda que, em 24 de fevereiro, por exemplo, Tonezi fez na tribuna uma “onda de ataques” a parlamentares que celebravam os 93 anos da conquista do voto feminino no Brasil e a participação da mulher na política.

“Foi o estopim para uma onda de ataques de Tonezi às mulheres do parlamento local.

Na mesma sessão, ele afirmou que, sempre que houver na câmara algum discurso feminista, ele irá “expor as feministas e o que elas defendem”, disse Vanessa, em nota.

Vanessa da Rosa pede, na denúncia, que a Mesa Diretora responsabilize Wilian Tonezi com base no Código de Ética e no Regimento Interno da CVJ e ainda na Lei Federal nº 14.192/2021, que reprime a violência política contra mulheres.

O Conselho de Ética tem cinco dias para as manifestações iniciais. Integram o conselho os vereadores Neto Petters (Novo), Lucas Souza (Republicanos), Pastor Ascendino Batista (PSD), Mateus Batista (União Brasil) e Wilian Tonezi (PL). 

Ideologia

Na tribuna, após a leitura da denúncia, Vanessa da Rosa declarou que não estava em questão a ideologia do vereador quanto ao feminismo, mas a “violência política de gênero”.

 “Ninguém precisa concordar com a ideia do outro, mas o respeito precisa imperar”, disse a vereadora.

Defesa

Wilian Tonezi afirmou na tribuna que não seria difícil imaginar que em um país onde um militante de esquerda esfaqueia um candidato a presidente e um deputado federal é obrigado a buscar refúgio no exterior, que militantes de direita sejam perseguidos.

Segundo ele, a denúncia acontece duas semanas depois de ele ter se encontrado com uma deputada estadual antifeminista.

“É uma tentativa de calar os representantes da direita conservadora”, declarou Tonezi. Disse ainda que o feminismo “solapou” a democracia, que não está a serviço das mulheres, e que políticos temem se posicionar, mas que ele continuaria denunciando “o feminismo, que é esse movimento assassino, que persegue mulheres”.

O que disseram os vereadores

Cleiton Profeta (PL) afirmou que a denúncia se trata de uma “narrativa petista clichê de calar o opositor”.

Disse também que assédio é “coisa séria” e que não pode ser relativizado. “Cassar um vereador por debater e defender seu ideal…duvido que qualquer um dos colegas jamais vai embarcar numa patacoada dessas”, disse.

Vanessa Falk (Novo) disse que seria solidária à Vanessa da Rosa e que as mulheres querem respeito.

“No primeiro mês de sessões, ter essa falta de respeito, é muito ruim pras mulheres, é muito ruim pra cidade de Joinville”.

Liliane da Frada (Podemos) afirmou que votaria a favor da denúncia e que todos devem ser respeitados porque foram eleitos democraticamente.

“Nós estamos aqui através de uma luta antiga, e queremos respeito”.

Henrique Deckmann (MDB) disse que não se trata de feminismo, mas de respeito às mulheres e à instituição. “Se inventa um aspecto ideológico para esconder sei lá o quê”.

Tânia Larson (União Brasil) declarou que não era feminista, mas “feminina”, e que a denúncia tem admissibilidade e que cabe à Comissão de Ética avaliar a denúncia.

“Cabe a todos o respeito, parlamentar mulher, parlamentar homem, vamos pensar em Joinville”.

Érico Vinicius (Novo) lamentou ter de viver um momento como esse e que o desrespeito não deve ser admitido.

“Nós não estamos aqui falando de uma questão de sexo, mas de pessoas, e constantemente está se vendo aqui o desrespeito”.

Diego Machado (PSD) disse que não entraria no mérito da denúncia, porque isso caberia ao Conselho de Ética, e lamentou que o “respeito muitas vezes tem faltado aqui”.

“Independente do que a pessoa pense ou defenda, o respeito é a base de qualquer sociedade. Estamos apenas terminando o mês de março e já vimos muitos exageros”.

Lucas Souza (Republicanos) lamentou “nem termos chegado aos cem dias, e já estamos votando a abertura do Conselho de Ética desta Casa”.

Dirigindo-se a Tonezi, disse ainda que não pode haver agressão ao trabalho dos parlamentares e que todos merecem respeito.

Alisson (Novo) afirmou que Tonezi trabalha bastante e é “atuante”, mas que “repetidamente tem faltado ao respeito com os colegas”.

“Não tente transformar isso aqui numa discussão ideológica, estamos pedindo que o senhor tenha respeito com seus colegas”.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.